
Quando se está escalado para ser plantonista num hospital de grande ou que seja pequeno porte, sempre é imprevisível o que chegará.
Neste último fim de semana, fui submetido a esta imprevisibilidade. Um stress físico e psicológico.
Doze horas trancafiado em alas, da mais leve a mais pesada, dos melhores aos dos piores prognósticos.
Doze horas de correria nos cinco andares de enfermidades.
A correria no primeiro dia explica o cansaço do segundo dia.
Às 18:00 do domingo, sentado já com os atendimentos feitos, estava anotando os que foram atendidos, e pensando ufa! Acabei. Já eu vou descansar!
Às 18:10 o telefone na U.T.I. toca.
- Fisioterapeuta, favor comparecer a emergência!
Deus. Nos últimos segundos do plantão?!
Apesar do cansaço, desci as escadas correndo, pois esperar o elevador é prejuízo.
Uma parada cardíaca foi o que constatei ao entrar na sala de emergência.
O auxiliar de enfermagem fazendo a massagem cardíaca, outro aplicando as medicações próprias ao comando do médico responsável.
Problema que me fez descer até o local:
- O Ventilador Mecânico não ciclava.
Fui até o aparelho que já estava todo montado e ligado. Estava calmo pois já havia participado de procedimentos assim anteriormente.
Revendo a montagem (verificando se os tubos estavam corretamente ligados e acoplados), minha mente fluía, pensando em várias coisas, problemas. Fazendo-me lutar comigo mesmo para fazer meu melhor durante a tentativa de reverter um provável óbito.
O Ventilador mecânico estava montado corretamente e mesmo assim, não ciclava. Depois de analisar, decidi apertar o botão de liga e desliga (não sei o que fizeram anteriormente para causar este problema imbecil). Desliguei e religuei, programei nos parâmetros daquele paciente, e bingo... a ciclagem começou.
sim. mas eu gosto de ter pesadelos (sou excessão da regra da sociedade).
Voltei-me então para o ambú. Assumi o lugar da enfermeira que ali estava.O ambú sendo usado juntamente com a massagem cardíaca, ininterruptamente.
Cansaço...
Minha luta era capricho, comparando-se a luta daquele indivíduo deitado recebendo as massagens, brigando com a morte.
O indivíduo então, começou a sangrar pelo tubo traqueal. Muito sangue.
Chamei alguém para aspirar o sangue para que pudesse continuar a ambuzar o indivíduo. O sangue jorrou pelo tubo ao ser desconectado do ambú. Derramou no chão e algumas gotas em minha roupa. Pelo pescoço do paciente, sangue coalhado.
Era muito sangue!
O desfibrilador foi utilizado uma vez. Nada! A segunda vez. Nada! A terceira vez. Nada! Nem um mísero batimento cardíaco.
Todos com esperança que o batimento cardíaco retornasse. 40bpm que fosse. Iria ser colocado um marcapasso.
Eu continuando a ambuzar. Pensando em tudo e pensando em nada ao mesmo tempo.
Tudo tão rápido...
Neste último fim de semana, fui submetido a esta imprevisibilidade. Um stress físico e psicológico.
Doze horas trancafiado em alas, da mais leve a mais pesada, dos melhores aos dos piores prognósticos.
Doze horas de correria nos cinco andares de enfermidades.
A correria no primeiro dia explica o cansaço do segundo dia.
Às 18:00 do domingo, sentado já com os atendimentos feitos, estava anotando os que foram atendidos, e pensando ufa! Acabei. Já eu vou descansar!
Às 18:10 o telefone na U.T.I. toca.
- Fisioterapeuta, favor comparecer a emergência!
Deus. Nos últimos segundos do plantão?!
Apesar do cansaço, desci as escadas correndo, pois esperar o elevador é prejuízo.
Uma parada cardíaca foi o que constatei ao entrar na sala de emergência.
O auxiliar de enfermagem fazendo a massagem cardíaca, outro aplicando as medicações próprias ao comando do médico responsável.
Problema que me fez descer até o local:
- O Ventilador Mecânico não ciclava.
Fui até o aparelho que já estava todo montado e ligado. Estava calmo pois já havia participado de procedimentos assim anteriormente.
Revendo a montagem (verificando se os tubos estavam corretamente ligados e acoplados), minha mente fluía, pensando em várias coisas, problemas. Fazendo-me lutar comigo mesmo para fazer meu melhor durante a tentativa de reverter um provável óbito.
O Ventilador mecânico estava montado corretamente e mesmo assim, não ciclava. Depois de analisar, decidi apertar o botão de liga e desliga (não sei o que fizeram anteriormente para causar este problema imbecil). Desliguei e religuei, programei nos parâmetros daquele paciente, e bingo... a ciclagem começou.
sim. mas eu gosto de ter pesadelos (sou excessão da regra da sociedade).
Voltei-me então para o ambú. Assumi o lugar da enfermeira que ali estava.O ambú sendo usado juntamente com a massagem cardíaca, ininterruptamente.
Cansaço...
Minha luta era capricho, comparando-se a luta daquele indivíduo deitado recebendo as massagens, brigando com a morte.
O indivíduo então, começou a sangrar pelo tubo traqueal. Muito sangue.
Chamei alguém para aspirar o sangue para que pudesse continuar a ambuzar o indivíduo. O sangue jorrou pelo tubo ao ser desconectado do ambú. Derramou no chão e algumas gotas em minha roupa. Pelo pescoço do paciente, sangue coalhado.
Era muito sangue!
O desfibrilador foi utilizado uma vez. Nada! A segunda vez. Nada! A terceira vez. Nada! Nem um mísero batimento cardíaco.
Todos com esperança que o batimento cardíaco retornasse. 40bpm que fosse. Iria ser colocado um marcapasso.
Eu continuando a ambuzar. Pensando em tudo e pensando em nada ao mesmo tempo.
Tudo tão rápido...
18:30 - Hora do Óbito.