04 agosto 2008

Sen.Ti.

Eu não serei aquele que te dará certeza, mas sim aquele que deixará a dúvida. A mesma que a de Bentinho em relação a Escobar. Se isto não bastar como "meia palavra", e se não entendes minha razão, por ti nada posso fazer.
Ser explícito, já não mais faz parte de meu feitio.
Do meu progresso apenas meu presente, do meu passado apenas catástrofes. Lembro-me de vossa mercê e seu sorriso ornado, pequenas características impagáveis, coisas únicas, bem típicas do quadro pré românce adolescente.
Você?! Que culpa tens se sua personalidade é assim?
Eu? Culpado por acreditar em contos de fadas quando já crescido!
Se carrego tal ferida não dividirei com ser sequer.
Destes meus problemas nada lhe convém, não me interessa o desdém.
Assim como, não me interessa se pratica na cama tudo o que consta em seu livro de cabeceira.
Do nosso usado Kama-Sutra, acendo uma vela vermelha de sete dias com uma rosa ao lado. Da sua forma de lidar com nossa atual situação, acendo uma vela preta apenas.
Não velo sentimento vivo. Não velo meu passado sombrio. Velo apenas meu presente sem você e a falta do seu sorriso ornado.
Deste segredo guardado a sete chaves se faz presente a dor, a ilusão, a paixão e a rejeição.
Você, eu e meu pequeno mundo do complexo.

29 julho 2008

20 Minutos Contra Deus


Quando se está escalado para ser plantonista num hospital de grande ou que seja pequeno porte, sempre é imprevisível o que chegará.
Neste último fim de semana, fui submetido a esta imprevisibilidade. Um stress físico e psicológico.
Doze horas trancafiado em alas, da mais leve a mais pesada, dos melhores aos dos piores prognósticos.
Doze horas de correria nos cinco andares de enfermidades.
A correria no primeiro dia explica o cansaço do segundo dia.
Às 18:00 do domingo, sentado já com os atendimentos feitos, estava anotando os que foram atendidos, e pensando ufa! Acabei. Já eu vou descansar!
Às 18:10 o telefone na U.T.I. toca.
- Fisioterapeuta, favor comparecer a emergência!
Deus. Nos últimos segundos do plantão?!
Apesar do cansaço, desci as escadas correndo, pois esperar o elevador é prejuízo.
Uma parada cardíaca foi o que constatei ao entrar na sala de emergência.
O auxiliar de enfermagem fazendo a massagem cardíaca, outro aplicando as medicações próprias ao comando do médico responsável.
Problema que me fez descer até o local:
- O Ventilador Mecânico não ciclava.
Fui até o aparelho que já estava todo montado e ligado. Estava calmo pois já havia participado de procedimentos assim anteriormente.
Revendo a montagem (verificando se os tubos estavam corretamente ligados e acoplados), minha mente fluía, pensando em várias coisas, problemas. Fazendo-me lutar comigo mesmo para fazer meu melhor durante a tentativa de reverter um provável óbito.
O Ventilador mecânico estava montado corretamente e mesmo assim, não ciclava. Depois de analisar, decidi apertar o botão de liga e desliga (não sei o que fizeram anteriormente para causar este problema imbecil). Desliguei e religuei, programei nos parâmetros daquele paciente, e bingo... a ciclagem começou.
sim. mas eu gosto de ter pesadelos (sou excessão da regra da sociedade).
Voltei-me então para o ambú. Assumi o lugar da enfermeira que ali estava.O ambú sendo usado juntamente com a massagem cardíaca, ininterruptamente.
Cansaço...
Minha luta era capricho, comparando-se a luta daquele indivíduo deitado recebendo as massagens, brigando com a morte.
O indivíduo então, começou a sangrar pelo tubo traqueal. Muito sangue.
Chamei alguém para aspirar o sangue para que pudesse continuar a ambuzar o indivíduo. O sangue jorrou pelo tubo ao ser desconectado do ambú. Derramou no chão e algumas gotas em minha roupa. Pelo pescoço do paciente, sangue coalhado.
Era muito sangue!
O desfibrilador foi utilizado uma vez. Nada! A segunda vez. Nada! A terceira vez. Nada! Nem um mísero batimento cardíaco.
Todos com esperança que o batimento cardíaco retornasse. 40bpm que fosse. Iria ser colocado um marcapasso.
Eu continuando a ambuzar. Pensando em tudo e pensando em nada ao mesmo tempo.
Tudo tão rápido...

18:30 - Hora do Óbito.

18 julho 2008

648 Horas Para um Reencontro


Fazemos o possível e o impossível para encontrar alguém especial.
Procuramos... procuramos... procuramos, por fim acabamos deixando o tempo passar e nos fazer entender que o perfeccionismo é apensa coisa de nossa cabeça e que não existe.
Mas o estranho, é que quando desistimos de procurar, e sem ao menos esperar, a história muda e você é encontrado num filete de luz. Nada pode descrever a sensação. vou ser clichê e cantar o refrão de Alanis:

"You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault."

Por incrível que pareça a felicidade sempre mora numa cidade distânte, mas nos deixa no ar a expectativa de reencontro. Ainda faltam 648 horas ou 38.880 minutos ou 2.332.800 segundos.
Mas provavelmente este tempo ja diminuiu, pois estou na contagem regressiva.
Aguardo o 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
... e que o fogos comecem.
OBS: E todos falam que é impossível algo a distância. Vou simplesmente dizer "Por você eu faria mil vezes".